Declaração simplificada ou completa: qual o melhor modelo?

Declaração simplificada ou completa: qual o melhor modelo?

Você começa a preencher o Imposto de Renda e aí bate aquela dúvida de qual modelo escolher: a declaração simplificada ou a completa?

Se você se identificou com essa situação, saiba que o próprio programa da Receita Federal aponta para o contribuinte qual é o melhor caminho. E isso acontece mesmo depois do início do preenchimento do formulário.

Pelo sistema, é possível descobrir o modelo que gera um menor valor de imposto a pagar.

Portanto, se você quer se planejar e já decidir o formato antes de começar a sua declaração, veja como é simples descobrir a melhor opção com as informações a seguir.

Ao longo deste conteúdo, mostramos as características do modelo de declaração simplificada ou completa, e indicamos o que considerar nessa decisão. Confira!

Leia Mais: Como declarar a previdência privada no Imposto de Renda

O que é a declaração simplificada?

Aprenda a escolher entre declaração simplificada ou completa

Esse é o modelo de declaração ideal para quem não tem muitas despesas para descontar. Entre elas estão gastos anuais com dependentes, saúde, educação, financiamento imobiliário ou consórcio, entre outros.

Para preencher o formulário simplificado, é preciso que todas as suas despesas do ano anterior. Ou seja, aquelas que você pode deduzir e que não excedam o valor de R$ 16.754,34 (esse valor sofre reajuste a cada ano).

Caso não ultrapassem esse limite, será dado, automaticamente, um desconto de 20% sob o valor total da dedução. Nesse caso, não há a necessidade de apresentar comprovantes.

Como fazer a declaração simplificada?

O primeiro passo para fazer a sua declaração, seja qual for o modelo, é baixar o programa da Receita Federal.

O download acontece diretamente do site do órgão federal, inclusive para smartphone.

Entretanto, não é possível fazer a declaração por meios móveis se você teve renda, tributável ou não, superior a R$ 5 milhões no ano anterior ou que esteja no exterior.

Contudo, depois de instalar e abrir o programa, tenha em mãos todos os documentos necessários para a declaração.

No caso do modelo simplificado, os mais importantes são os dados de identificação e os informes de rendimento, que são fornecidos por seus empregadores e por todas as instituições financeiras com as quais você mantém relação.

Então, na primeira janela do programa, é possível importar os dados da declaração do ano anterior, se ela tiver sido feita no mesmo computador.

Isso agiliza o processo. No entanto, se essa não for uma opção, clique em “Iniciar declaração em branco”.

A partir daí, preencha seus dados cadastrais e, em seguida, informe seus rendimentos.

Todas as suas fontes de ganhos devem constar na declaração. Portanto, tenha cuidado nessa parte, já que inconsistências podem fazer com que a sua declaração caia na malha fina.

Na página seguinte, é preciso informar seus “Bens e direitos”. Isso envolve aplicações financeiras, saldo em contas bancários, imóveis e veículos.

Vale lembrar que os valores em reais devem levar em conta o final de 2021 e o final de 2020, para a declaração que você fizer em 2022.

Em seguida, inclua todos os “Pagamentos efetuados”, que nada mais são do que as despesas que se pode deduzir.

Junto aos valores, é preciso informar o CPF ou CPNJ do profissional ou da empresa prestadora do serviço.

Então, ao avançar para a próxima página, o próprio programa da Receita informa se há alguma pendência que precisa de solução.

Escolhendo entre declaração simplificada ou completa

Após todas essas etapas é que o contribuinte escolhe entre a declaração simplificada ou completa.

Por padrão, o programa sempre vem com a opção “por deduções legais” selecionado, o que responde ao modelo completo.

Portanto, se opção simplificada representar uma dedução maior ou menos imposto a pagar, basta selecionar “por desconto simplificado”.

Não se esqueça de informar a conta para receber a restituição, para ter acesso ao valor o que você pagou a mais de imposto, caso esse seja o seu caso, ou para emitir a DARF e pagar a diferença entre o que recolheu ao longo do ano e o imposto que deve.

Além disso, quem tem imposto a pagar pode dividir o valor em até 8 quotas. Feito isso, basta entregar a declaração para acertar as contas com a Receita.

O que é a declaração completa?

Esse é o modelo ideal para quem tem muitas despesas para descontar, tais como gastos anuais com dependentes, saúde, educação e outros, e para quem excede o limite de R$ 16.754,34 em gastos dedutíveis.

Contudo, quem opta pela declaração completa precisa apresentar todos os comprovantes das despesas dedutíveis, o que exige organização.

Nesse formato de declaração, você também pode abater o dinheiro que investiu em determinados planos de previdência privada ou em fundo de pensão, com o objetivo de garantir uma previdência complementar, até o limite de 12% da renda tributável, conforme detalhamos mais abaixo.

Como fazer a declaração completa?

Para quem deseja fazer o processo de declaração completo, o processo é muito similar ao passo a passo da declaração simplificada.

No entanto, para aumentar o volume de deduções, é preciso observar cada um dos itens concluídos no campo “Pagamento efetuados” com cuidado. Isso vale tanto para obter o desconto no imposto quanto para evitar inconsistências dos dados repassados para a Receita.

Despesas médicas, por exemplo, não têm um limite de dedução — com exceção dos gastos com medicamento. As despesas com educação têm um limite de R$ 3.561,50 por dependente, desde que você comprove tudo.

A inclusão dos dependentes também merece atenção especial. Cada um deles deve ter CPF próprio, mesmo que for recém-nascido.

Além disso, o limite dos abatimentos por cada dependente é de até R$ 2.275,09, com as despesas devidamente comprovadas — sem limite do número dos dependentes que você pode incluir.

É importante informar as rendas que cada um dos dependentes tem — pensão alimentícia, salário ou qualquer outro tipo de rendimento.

Ainda que isso aumente a base de cálculo do seu imposto, tais informações não podem ser omitidas. O mesmo vale para bens e direitos no nome desses dependentes.

Vale reforçar que, nas situações em que o dependente tenha uma renda muito alta, talvez seja melhor que ele faça a declaração sozinho e não entre como seu dependente. Mesmo que isso signifique incluir menos deduções.

Contudo, para ter certeza dessa decisão, faça simulações e opte pelo cenário que gere a maior dedução ou um menor valor de imposto a pagar.

Por fim, não se esqueça de incluir seu plano de previdência privada e os aportes que fez ao longo do ano.

Nos planos PGBL, é possível abater as contribuições feitas em até 12% da renda que declarou, o que reduz a base de cálculo do imposto que deve.

Com todas as informações incluídas, o sistema que recebe as declarações marca a opção de declaração completa automaticamente, que aparece como “Por deduções legais”, conforme dissemos anteriormente.

Em seguida, basta informar a conta para a dedução ou emitir a guia de pagamento do imposto devido e enviar a declaração.

Qual modelo de declaração é melhor para mim?

Tire as dúvidas sobre declaração simplificada ou completa

Depende do seu perfil de despesas ao longo do ano. Se você tem filhos e um patamar alto de gastos com saúde e educação, a declaração completa costuma ser mais vantajosa por possibilitar um desconto maior, já que a simplificada deduz os 20% automaticamente.

Felizmente, como já dissemos, o próprio programa da Receita Federal permite calcular qual das opções é mais vantajosa, o que facilita bastante a vida do contribuinte — mas, por muito tempo, não foi assim.

Quando a declaração ainda era entregue em papel, existiam dois formulários diferentes — para declarações simplificadas ou completas.

Para chegar à melhor opção, era necessário preencher ambos os formulários, o que, além do trabalho em dobro, muitas vezes gerava confusão.

Em todo caso, na dúvida, além das simulações, o contribuinte pode reunir todos os documentos necessários para a declaração, incluindo os documentos das despesas dedutíveis, e fazer o preenchimento de uma primeira versão da declaração como se estivesse seguindo o modelo completo.

Ao final, se a opção pelo desconto linear de 20% do modelo simplificado for mais vantajosa, basta indicar isso no campo indicado no programa da Receita.

Dessa forma, você não perderá o trabalho feito nem correrá o risco de parar na malha fina — desde que informe todos os valores dedutíveis acumulados ao longo do ano corretamente.

Além disso, tão importante quanto escolher o tipo de declaração mais adequado é respeitar os prazos de envio das informações.

Os retardatários pagam multa, que tem o valor mínimo de R$ 165,74 e pode atingir até 20% do imposto devido. O cronograma de restituição tem o primeiro lote sendo pago também no último dia do mês de maio.

Embora pareça um assunto complexo, com calma e organização, fica mais fácil decidir entre uma declaração simplificada ou completa e escolher o modelo de declaração mais adequado ao seu perfil.

Dessa forma, você não só acerta as contas com o Leão, como também aumenta as chances de receber uma restituição de valor mais justo.

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