Mesada educativa: saiba como definir e usar de forma inteligente

Mesada educativa: saiba como definir e usar de forma inteligente

A educação das crianças deve ser um compromisso entre a escola, a família e toda a sociedade. Somente assim é possível proporcionar ao jovem a possibilidade de se desenvolver plenamente, com qualificação para o mercado de trabalho e para o exercício da cidadania. Nesse cenário, entra a mesada educativa.

Quando falamos de educação financeira, sabemos que o peso dos ensinamentos recai sobre a família. Contudo, é natural que seja assim, pois grande parte do aprendizado ligado à boa gestão do dinheiro se dá na prática, no dia a dia da casa.

Além disso, os currículos da maioria das escolas brasileiras ainda não contemplam o assunto de forma satisfatória.

Porém, vamos te ajudar! Nas linhas a seguir você confere uma das ferramentas mais eficientes que os pais têm para transmitir valores e conhecimentos sobre finanças aos filhos: a mesada educativa. Acompanhe!

O que é uma mesada educativa?

Valor ideal para mesada educativa

A mesada educativa é mais que apenas um valor que os pais dão aos filhos. Na prática, ela é um instrumento de educação financeira para ajudar os pequenos a criarem a consciência necessária para cuidar do dinheiro desde cedo.

Dessa forma, a mesada educativa deve ir além do mero hábito de dar uma determina quantia para as crianças, para elas gastarem como bem entenderem.

Além disso, é preciso desconstruir a ideia de que a mesada deixará filhos, netos, enteados ou sobrinhos mimados.

Contudo, esse recurso pode ser usado como ferramenta para ensinar noções básicas de economia e ainda melhorar a relação das crianças com o dinheiro — e isso vale para a vida toda.

Entenda a função da mesada educativa

A concessão da mesada pode ser um dos primeiros caminhos para que os pais consigam falar com os filhos sobre dinheiro, transmitindo o conhecimento de que é necessário se planejar para alcançar determinados objetivos.

Porém, é claro que o propósito da mesada também é dar um pouquinho mais de liberdade financeira a crianças e adolescentes, fazendo com que eles possam consumir de acordo com seus próprios gostos e necessidades.

A partir disso, a mesada serve como um grande exercício de gestão financeira, mesmo para os pequenos. Ao receber o valor, a criança saberá que tudo o que ela deseja consumir tem um preço, e que nem sempre suas vontades caberão no orçamento disponível.

Ao mesmo tempo, ela será capaz de se organizar para comprar algo mais caro, economizando parte da mesada sempre que recebê-la, por exemplo.

Em suma, a mesada educativa faz com que as crianças consigam ponderar sobre o dinheiro disponível e tomar decisões conscientes sobre seus gastos. Essa é uma lição extremamente importante para o dia a dia da vida adulta.

Vincular ou não a mesada à realização de tarefas?

A ideia da mesada é fazer com que os filhos tenham um gostinho de como é ser adulto. Por isso, os especialistas aconselham atrelar o pagamento da mesada à realização de tarefas proporcionais à capacidade e à idade da criança.

Essa troca transmite a ideia de que ter dinheiro para comprar o tão desejado brinquedo depende da combinação de trabalho e poupança.

Apesar disso, temos que ter cuidado para não vincular o recebimento da mesada às obrigações da criança, como tirar boas notas na escola. Isso pode esvaziar o significado dos estudos, reduzindo-os a uma questão meramente financeira.

Mesada educativa

As tarefas dadas à criança ou ao adolescente podem ser simples, como manter o quarto e os brinquedos arrumados ou ajudar em alguns afazeres domésticos.

Até os 12 anos, o ideal é começar o mês com o valor cheio e ir descontando sempre que a criança deixar de realizar alguma tarefa. Depois dos 12, o melhor é começar do zero e ir somando sempre que o adolescente concluir uma tarefa.

Aprenda a definir o valor da mesada

Os pais devem levar em consideração três fatores no momento de fixar o valor da mesada dos filhos: o orçamento da família, o valor que os amiguinhos da escola ou da vizinhança ganham e a idade da criança.

Quanto mais velhos forem os filhos, maior pode ser o valor da mesada, já que eles vão ganhando mais autonomia com o passar do tempo. Pode até parecer que você estará desembolsando mais dinheiro do que antes, mas é apenas ilusão.

Explicamos com um exemplo bem simples: quando as crianças são menores e desejam ir ao cinema, pagamos o ingresso do nosso bolso. Quando elas se tornam adolescentes, querem ir ao cinema na companhia dos amigos.

Nesse momento, eles podem usar a mesada para comprar o ingresso. O custo do cinema é o mesmo, estamos apenas mudando quem administra o dinheiro.

Se os colegas da classe ou da vizinhança receberem uma mesada muito maior do que a que o seu orçamento permite, procure conversar com seu filho e conscientizá-lo da situação financeira da família, deixando claro que ele não tem nenhuma culpa.

Parte da mesada educativa é entender as limitações que variam de pessoa para pessoa ou de família para família.

Com que idade a criança pode começar a receber mesada?

Além do valor, a idade para dar a primeira mesada educativa deve ser pensada com cuidado. E à medida que a criança cresce, podem ser feitos ajustes — não apenas no valor, mas no modo como a mesada é entregue.

Leve em conta que, antes dos 3 ou 4 anos, a criança ainda não tem plena consciência do que é o dinheiro e de como ele funciona.

Nesse momento, os responsáveis podem ajudar na introdução de conceitos-chave, mostrando que tudo o que faz parte do dia a dia da criança tem um custo.

A partir disso, considere diferentes segmentos de faixa etária. A partir dos 4 anos, já é possível introduzir moedas e cédulas. Um cofrinho para que a criança guarde as primeiras economias também é uma boa ideia.

Com o passar do tempo, o intervalo entre a entrega dos valores pode se tornar maior, já que a criança começa a ter um senso mais apurado de planejamento à medida que cresce. Falamos sobre isso no tópico seguinte.

Com que frequência a mesada educativa deve ser dada?

A frequência com que a mesada deve ser dada também depende da idade dos filhos. Crianças de até 8 anos podem receber mesada uma vez por semana, já que elas costumam ter mais dificuldade para fazer planejamentos de médio e longo prazos.

Ao dar um valor mais alto nas mãos de uma criança pequena — referente a 4 semanas, por exemplo —, as chances são grandes de ela gastar tudo no mesmo dia com balas ou figurinhas, e 29 dias depois já não ter a memória viva da lição do mês anterior.

Crianças de 9 a 11 anos já podem começar a receber mesada quinzenalmente, para se acostumarem a administrar o dinheiro durante um tempo um pouco maior.

Os maiores de 12 anos podem receber mesada educativa uma vez ao mês, para se acostumarem ao padrão da vida adulta — quando a maioria das receitas e despesas tem frequência mensal.

Quais são os benefícios dessa prática no longo prazo?

Quando adotada com o propósito educativo, a mesada passa longe de ser apenas um modo de agradar às crianças ou mesmo de possibilitar que elas realizem alguns desejos de consumo. Abaixo, listamos benefícios da prática no longo prazo. São eles:

  • ensina sobre o valor do dinheiro;
  • introduz conceitos básicos sobre finanças;
  • incentiva a economia e o autocontrole;
  • ajuda no ensino de matemática;
  • fortalece a autonomia;
  • minimiza compras por impulso;
  • dá uma noção maior de realidade sobre a família e o mundo.

Em que situações não devemos usar a mesada?

A mesada não deve ser dada para cobrir as necessidades básicas do jovem, como o lanche na escola ou as roupas.

Isso pode passar a ideia de que a criança pode ficar sem comer, sem comprar roupas ou produtos de higiene pessoal para poupar o dinheiro para comprar um jogo ou ir ao cinema, por exemplo.

Que tipo de intervenção os pais devem ter na mesada educativa?

Um dos principais objetivos da mesada educativa é fazer com que a criança aprenda a tomar decisões financeiras por conta própria.

Assim, os pais devem respeitar a autonomia dos filhos e, ao mesmo tempo, tentar aconselhá-los sobre o controle de despesas, o estabelecimento de metas e a poupança.

Os pais podem e devem ensinar os filhos a controlar o dinheiro. Isso pode ser feito anotando todas as despesas em uma planilha financeira, poupando e estabelecendo metas, mas o mais importante é que a decisão final seja do jovem.

Se ele tomar uma decisão equivocada ou vier a se arrepender dos gastos que fez, não tem problema! Esse processo é saudável e faz parte do aprendizado e do amadurecimento. Melhor errar agora do que mais para frente, quando as responsabilidades forem maiores, não é mesmo?

Por fim, vale destacar a importância de criar laços com os filhos quando o assunto é gestão financeira. Procure demonstrar à criança que a gestão do orçamento da família não é tão diferente assim da gestão da mesada educativa.

Aliada à ampliação do diálogo, a mesada educativa tem o poder de fazer com que os jovens deem mais valor ao dinheiro. Além de entenderem melhor o esforço da família para manter as contas em dia, realizar sonhos ou melhorar o padrão de vida.

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