Parcelar o cartão de crédito: 8 dicas para evitar erros comuns

Parcelar o cartão de crédito: 8 dicas para evitar erros comuns

Em junho de 2020, o Brasil atingiu a impressionante marca de 67,1% da população adulta inadimplente, o maior índice desde que a pesquisa foi criada, em 2010. Esse índice reflete a alta na taxa do desemprego, a queda no poder de compra dos brasileiros e, consequentemente, a tentação em parcelar o cartão de crédito.

O rotativo do cartão de crédito é um dos grandes vilões da saúde financeira nacional, sendo a linha de crédito mais cara (e perigosa) do mercado. E por mais que você possa até não conhecê-lo pelo nome, já deve ter usado esse recurso.

Quando recebemos a fatura e fazemos o pagamento só do valor mínimo, estamos usando essa espécie de empréstimo das operadoras e dos bancos, em que a cobrança de juros é altíssima.

Aliás, foi exatamente para colocar um limite nessa bola de neve que o Banco Central determinou novas regras para o pagamento mínimo, dando preferência a alternativas para parcelar o cartão de crédito.

Continue a leitura para entender o que mudou nas regras e como evitar erros comuns ao parcelar o cartão de crédito!

Como funciona o parcelamento do cartão de crédito?

Em primeiro lugar, é bom levar em conta que cada banco ou operadora tem suas próprias regras em relação a taxas de juros e procedimentos sobre como lidar com a inadimplência. Assim, antes de optar por parcelar o cartão de crédito, é fundamental entrar em contato com a financeira para ficar por dentro da política aplicada.

Normalmente, essas informações vêm detalhadas na própria fatura, junto às opções de parcelamento. Em alguns casos, a administradora fornece o recurso de pagar exatamente o valor da mensalidade para “ativar” o parcelamento.

De que armadilhas você precisa escapar ao parcelar o cartão de crédito?

Optar por parcelar o cartão de crédito exige, no geral, uma ação simples. Por isso, muitos preferem pagar as mensalidades dessa forma, por serem valores mais atrativos. Afinal, são muito menores do que o montante total e parecem não afetar tanto nas faturas subsequentes.

No entanto, reforçamos que o parcelamento de fatura pode ser uma das armadilhas do cartão de crédito. Essa nem sempre é a melhor opção, pois o cliente assume os juros do rotativo, que são muito mais altos. O ideal, portanto, é entrar em contato com a empresa para negociar as melhores condições.

Além disso, não aceite a proposta sem refletir em como essa nova obrigação financeira mensal vai impactar seu orçamento. Trata-se de uma dívida que você vai assumir para muitos meses, e isso exigirá um planejamento minucioso de suas finanças, bem como a certeza de que este e outros débitos serão quitados.

Pense também no que levou você a chegar a essa situação. Será que parcelar a fatura vai dar o fôlego necessário para organizar as coisas? Ou será que o motivo por trás do endividamento vai permanecer? Se este for o caso, pode ser que o parcelamento não resolva o problema, apenas adicione outro.

No entanto, há situações em que o parcelamento pode compensar e torna-se uma boa saída estratégica, apesar de não ser a regra.

Quando compensa parcelar o cartão de crédito?

O recomendado é apenas parcelar o cartão de crédito se esse for o único caminho para evitar pagar o valor mínimo da fatura, e se não houver nenhuma outra opção de crédito mais barata. Quer saber por quê?

Como comentamos, os juros praticados pelas instituições administradoras de cartão de crédito são os mais caros do mercado. Por isso, não raro os especialistas recomendam pegar um empréstimo para quitar a dívida do cartão, uma vez que essa operação pode sair mais barata.

Note que falamos “pode sair” mais barata. Falaremos mais sobre isso ao longo do artigo, mas cabe aqui dizer que é preciso avaliar todas as condições.

Outro ponto importante a lembrar é que não compensa parcelar em muitos meses. Afinal, quanto mais longo o parcelamento, mais pesado os juros vão incidir no montante. Na dívida, o fator tempo joga contra você. Então, minimize esse efeito e tente se livrar quanto antes do parcelamento.

Diante da dúvida se compensa ou não parcelar, vai uma última dica: não foque no valor das parcelas, mas sim no montante total que será pago. Mais a frente vamos dar algumas dicas de como tomar uma decisão acertada nesse sentido.

Quais são as novas regras do rotativo do cartão de crédito?

Veja como funcionam as novas regras do rotativo do cartão de crédito

Até 2017, para não ficar inadimplente, o consumidor deveria pagar pelo menos 15% da fatura do cartão na data de vencimento — o que é considerado pagamento mínimo. O restante seria cobrado na próxima fatura, acrescido de juros mais que abusivos, que poderiam ultrapassar a marca de 20% ao mês.

Se o cliente resolvesse ficar permanentemente pagando apenas o mínimo, a sobreposição mensal desse percentual de juros poderia resultar, em poucos meses, na destruição completa de sua vida financeira.

Com a mudança da regra, o consumidor que não conseguir pagar sua fatura integral só pode optar por fazer esse pagamento mínimo (de 15%) no primeiro mês. A partir do segundo mês, cabe ao banco oferecer uma alternativa de pagamento da fatura — normalmente parcelar o cartão de crédito.

Existe diferença entre pagar o mínimo e parcelar o cartão de crédito?

A princípio, pode até parecer igual, mas não é. No caso do parcelamento, você tem parcelas fixas, previamente conhecidas. Enquanto isso, no pagamento mínimo, o valor a ser quitado no mês seguinte é obscuro, sujeito aos critérios do banco.

Outra diferença é que o parcelamento é uma linha de crédito um pouco menos cara do que o rotativo. Para você ter uma noção, em abril de 2020, enquanto a taxa do rotativo era de 313,4% ao ano, a modalidade de crédito parcelado estava na casa dos 148,6%.

Como evitar problemas com parcelamento? Confira 8 dicas!

Após uma análise minuciosa, você viu que terá mesmo que parcelar a sua dívida no cartão de crédito. Como evitar dor de cabeça após essa decisão? Veja nossas dicas.

1. Não aceite a primeira proposta

De acordo com as novas regras, após 30 dias, o banco ou a operadora de cartão está livre para definir quais serão as propostas oferecidas a seus clientes para o parcelamento do cartão de crédito. Um inadimplente pode, assim, conseguir descontos volumosos ao negociar com as instituições.

Pensando nisso, pode ser interessante ligar para a central de atendimento do banco ou da operadora a fim de firmarem um acordo de forma mais rápida e vantajosa, conquistando as melhores condições de pagamento possíveis.

2. Analise todas as opções

Ainda relacionado à primeira dica, essa é a hora de você sentar e buscar o máximo de informações, conhecendo todas as opções que tem à disposição. Analise pontos-chave, como:

• o período cobrado para a renovação da dívida;

• o modo de parcelamento, se é fixo ou variável;

• os juros que incidirão no cálculo da negociação;

• a possibilidade de tomar um empréstimo para quitar a dívida.

Uma sugestão é fazer uma pesquisa de mercado antes de entrar em contato com o banco ou com a instituição financeira em questão visando negociar as taxas de juros de empréstimos. Nesse sentido, a pesquisa serve para entender como determinadas instituições fazem a renegociação.

Por si só, essa ação pode trazer muitas vantagens. Pense bem: durante sua conversa com o gerente do banco, só de citar que o concorrente oferece empréstimos com melhores condições (desde que seja verdade), pode conseguir a concessão de descontos mais atrativos para evitar que faça a transferência da sua conta.

Outra boa dica é simular financiamentos de forma real, consultando prestações fixas e correção de valores com a calculadora do cidadão do Banco Central. Para usá-la, basta inserir os dados solicitados pelo banco e verificar os valores!

3. Fique atento às novas regras do uso do rotativo

Como mencionamos, as novas regras determinam que o crédito rotativo do cartão pode ser usado por 30 dias. Após esse período, o cliente pode pagar integralmente o saldo devedor ou optar por contrair um empréstimo no banco com juros menores para parcelar o cartão de crédito.

Cada instituição está livre para oferecer diferentes formas de parcelamento, que podem durar até o total de 24 meses. O que muda aqui são os juros, que são menores se comparados com o crédito rotativo. Mais uma vez, devemos ressaltar: o cliente não precisa aceitar a oferta logo de cara, podendo escolher negociar a melhor linha de crédito.

4. Evite acumular parcelamentos

O ideal é não voltar a usar o cartão até que todas as suas dívidas sejam quitadas. Se você parcelar o cartão de crédito no mês anterior e continuar realizando novas compras, é bem provável que entre em um labirinto sem saída. Para evitar dores de cabeça, aposente o cartão até estar com seu limite integralmente restabelecido.

5. Troque a dívida do cartão por um empréstimo

Como vimos, os juros do rotativo são mais altos. Em 2020, enquanto ocupara o patamar de 313,4% ao ano, o cheque especial ficou em 119%, e o crédito pessoal não consignado, 86,4%.

Nesse mesmo período, o juro médio para quem parcelar o cartão de crédito é de 12,38% ao mês. Então, em tese, não seria tão difícil encontrar um empréstimo pessoal com taxas menores. Vale a pena fazer uma pesquisa, mas sempre com um bom planejamento para não se atolar em mais dívidas!

6. Olhe para valores além da parcela

É comum que quem tem uma dívida fique ansioso para pagá-la quanto antes. Mas, como você viu mais cedo, é preciso olhar para além do valor da parcela, procurando entender quanto você realmente vai pagar.

Se o foco está em apenas uma parte do valor, suas estimativas certamente ficarão desequilibradas — assim como sua vida financeira. Então, além de preferir prestações fixas, que não aumentam ao longo do tempo, não se esqueça de verificar os juros, as taxas e os impostos.

Assim, você conhecerá o valor global, conhecido Custo Efetivo Total (CET), e poderá organizar melhor as finanças de modo a não criar mais dívidas.

7. Pague o valor total da fatura sempre que possível

Muita gente tem a chance de se livrar das dívidas de forma definitiva em algumas ocasiões especiais, como no caso do recebimento do 13º salário, de uma comissão mais generosa ou do terço das férias, por exemplo.

Por pura desorganização, no entanto, a maioria acaba deixando essa oportunidade passar. Saiba que esse erro pode custar sua saúde financeira por longos anos.

Reorganize todas as contas e sistematize o orçamento doméstico com foco no pagamento total da fatura.

Vamos imaginar que você tenha 10 mil reais para pagar no cartão. Se usa o rotativo no primeiro mês e, em seguida, faz o parcelamento do débito remanescente em 11 parcelas, sua carga de juros total vai ultrapassar facilmente os 3 mil. Perder esse montante em juros é se deixar empobrecer!

Se você conseguisse quitar o saldo devedor, poderia juntar esses mesmos 3 mil reais para fazer uma aplicação, contratando um plano de previdência privada para cuidar da aposentadoria, por exemplo, ou até mesmo um seguro de vida para garantir a segurança e o bem-estar da família.

8. Mantenha a dívida dentro do que pode pagar

Lembre-se de que o objetivo principal é se livrar da dívida inicial e não se afundar em uma nova. Um dos erros mais comuns de quem tenta negociar um débito é, na tentativa de limpar o nome no mercado, acabar assumindo um compromisso maior que o orçamento permite. Assim, falha em conseguir cumprir com os pagamentos.

Por isso, é muito importante fazer uma análise não só do valor das parcelas, mas também da quantidade de prestações. Coloque tudo na ponta do lápis e traga uma visão realista sobre suas condições financeiras. Afinal, você não quer fazer uma dívida sem pagar outra, não é mesmo?

Nenhuma das opções oferecidas pelo banco ou pela financeira se ajustam às condições que você tem atualmente para conseguir pagar? Tente negociar ao máximo ou procure a ajuda de um órgão independente, como o Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor).

De que maneira é possível se organizar para não precisar parcelar o cartão?

Dizer que “é melhor prevenir do que remediar” pode parecer clichê, mas é uma verdade que, inclusive, funciona muito bem no mundo das finanças pessoais. Afinal, como você pôde perceber, o melhor caminho é fugir dos elevados juros do parcelamento. Mas como isso é possível? Veja algumas dicas!

Faça as contas e evite problemas ao parcelar o cartão de crédito

Tente empréstimo com pessoas próximas

É claro que ninguém gosta da proposta de pedir ajuda financeira a alguém. Pegar dinheiro emprestado com amigos e familiares pode ser um tanto embaraçoso, mas também é uma opção que pode livrar você de juros e de IOF e garantir condições de pagamento mais flexíveis.

Porém, é preciso tomar o dobro de cuidado para que sua nova dívida não leve você à inadimplência, porque dever a pessoas próximas pode gerar muito constrangimento. Então, essa opção precisa ser aliada a muita organização financeira e responsabilidade.

Uma forma de reduzir o desconforto é oficializar esse “empréstimo”. Sim, colocar por escrito o montante que foi pego e as condições de devolução vai ajudar você a ter mais comprometimento e pontualidade nos pagamentos, além de expressar mais confiabilidade.

Uma estratégia que pode ser útil para evitar esquecimento é programar transferências automáticas no seu banco à pessoa que emprestou o dinheiro. Configure para uma data próxima ao recebimento do salário.

Outra dica vai para quem tem contas digitais. Muitas dessas instituições permitem depósitos por boleto bancário. Assim, você pode combinar com a pessoa que deu uma forcinha com o empréstimo que envie mensalmente um boleto com o valor acordado. Ter um documento de pagamento em mãos gera mais responsabilidade.

Uma vez que você colocou tudo por escrito, faça um acompanhamento mensal do quanto foi pago e de quanto falta para quitar o empréstimo. Essa boa comunicação evita muitos transtornos.

Use a reserva de emergência

Como o nome diz, a reserva de emergência é para ser usada em situações realmente críticas. Esse fundo deve ser direcionado para questões médicas, incidentes inesperados ou outras urgências. Talvez o motivo por trás do alto valor da fatura tenha sido o pagamento de uma questão emergencial, o que justificaria o uso da reserva.

Mas se esse não for o caso, você pode encarar esse saque como se estivesse pegando emprestado de si mesmo. Use a reserva de emergência para pagar o total ou parte da fatura e, depois, defina depósitos mensais para repor o que foi consumido.

A mesma recomendação dada no tópico anterior vale aqui: programe transferências automáticas mensais para uma data próxima ao recebimento do salário ou dos seus rendimentos. Embora você esteja “se pagando”, encare isso como se fosse uma despesa, até que alcance o total utilizado da reserva financeira.

Considere penhorar bens

Penhorar bens é uma modalidade antiga para captar recursos, mas ainda funciona. Uma vez que o credor tem nas mãos um bem valioso como garantia, o juro acaba saindo barato para o consumidor.

A lista aqui é grande, desde joias até computadores. A vantagem da penhora é que você não precisa vender o item. Você tem a garantia de ter novamente a posse assim que quitar a dívida.

Neste post, você percebeu que, independentemente das restrições no rotativo, parcelar o cartão de crédito também exige alguns cuidados — até porque sua taxa de juros é igualmente elevada.

Agora que você sabe mais sobre o assunto, já pode usar as vantagens que o cartão oferece sem cair em armadilhas financeiras! E, caso preciso optar por parcelar a fatura, sabe também como fazê-la da melhor forma possível.

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  • Publicado

    09 de novembro de 2020

  • Categoria

    Educação Financeira

  • Tags Relacionadas

    Finanças pessoais